Janeiro Roxo: Natal reforça a conscientização e o combate à hanseníase
Durante o primeiro mês do ano, a Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), desenvolve a campanha Janeiro Roxo com o objetivo de alertar a população sobre os sinais e sintomas da hanseníase. Ao longo do mês, os serviços de saúde do município realizam ações voltadas ao incentivo do diagnóstico precoce, ao tratamento em tempo oportuno – fundamental para evitar incapacidades físicas e reduzir a cadeia de transmissão – além do enfrentamento ao preconceito e ao estigma associados à doença.
Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase é uma doença infectocontagiosa de evolução crônica que atinge principalmente a pele, as mucosas e os nervos periféricos, provocando alterações na sensibilidade e na força muscular. Quando não tratada precocemente, pode causar danos permanentes. Em 2025, Natal registrou cerca de 27 casos notificados da doença.
Kamila Pessoa, responsável técnica pelo Núcleo de Hanseníase e Tuberculose do Departamento de Atenção Básica (DAB) da SMS Natal, explica que a transmissão ocorre pela eliminação de bacilos por meio da fala, tosse ou espirro, após contato com uma pessoa portadora da doença na forma infectante. “Além disso, é necessário contato próximo e prolongado com a bactéria para que haja infecção. É importante ressaltar que a doença não é transmitida por abraços, beijos ou pelo uso de objetos compartilhados”, esclarece.
A responsável técnica reforça que quanto mais cedo a hanseníase for identificada, maiores são as chances de sucesso do tratamento, que é ofertado gratuitamente nas Unidades de Saúde do município e interrompe a transmissão em poucos dias após o início da medicação. “É fundamental que o tratamento seja realizado até o final para garantir a cura e interromper a cadeia de transmissão”, salienta.
Para marcar o mês de enfrentamento à doença, os serviços de saúde do município intensificaram ações como rodas de conversa nas salas de espera; testes de sensibilidade; triagem de pacientes com lesões de pele; avaliação de contatos e realização de testes rápidos; além da distribuição de material educativo para desmistificar a doença. Essas ações estão sendo desenvolvidas nas Unidades de Saúde de Natal ao longo do mês.
Nesta terça-feira (13), a Unidade de Saúde do KM 6 reuniu moradores da comunidade para uma roda de conversa sobre o tema. “Antigamente, a hanseníase era conhecida como lepra. Hoje, sabemos que é uma doença com tratamento e cura. Não há motivo para preconceito, pois nem todo contato resulta em contaminação. Por isso, é fundamental identificar a doença precocemente para iniciar o tratamento em tempo oportuno”, explicou a enfermeira da unidade, Alseni Lopes. Ela reforçou ainda que a hanseníase é uma doença silenciosa, que pode levar cerca de dez anos para se manifestar, o que exige atenção aos primeiros sinais.
Sinais e sintomas que podem indicar hanseníase
– Manchas na pele (esbranquiçadas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas) com alteração da sensibilidade ao calor, frio ou dor, como dormência no local;
– Nódulos pelo corpo;
– Diminuição ou ausência de sensibilidade ou força muscular nas mãos, pés ou face;
– Áreas com redução dos pelos e do suor;
– Comprometimento dos nervos periféricos, geralmente com engrossamento, associado a alterações sensitivas, motoras ou autonômicas;
– Sensação de formigamento nos membros superiores e inferiores.
