terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Imóvel dos Correios vai a leilão com lance inicial de R$ 2,2 milhões

Postado em 27 de janeiro de 2026
Política

Um prédio comercial dos Correios, localizado na Rua Chile, no bairro da Ribeira, em Natal, irá a leilão no dia 26 de fevereiro com lance inicial de R$ 2.281.664,56. A estrutura, com 781,40 metros quadrados de área construída, está desocupada e entrou na lista de venda dos ativos da estatal, que pretende arrecadar até R$ 1,5 bilhão como parte de um processo de reestruturação que visa amenizar o prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões registrado até o terceiro trimestre de 2025. Além do RN, estão previstos leilões de imóveis nos estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, São Paulo e Minas Gerais.

O certame sobre o prédio de Natal ocorrerá de forma totalmente on-line, por meio da plataforma Vip Leilões, com licitação do tipo “maior oferta de preço”. A sessão está marcada para 14h. O prédio comercial contém dois pavimentos e terreno foreiro (pertencente à União) com área de 589,37m². O imóvel é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e está livre de débitos tributários. A TRIBUNA DO NORTE procurou os Correios para comentar sobre o leilão do empreendimento localizado na capital potiguar, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

O portfólio dos ativos da estatal que foram postos à venda no País tem perfil variado – prédios administrativos, galpões, pontos comerciais, terrenos e antigos complexos operacionais — com lances iniciais a partir de R$ 14 mil, podendo chegar a R$ 190 milhões, a depender do tipo e da localização do bem. Somente nesta primeira fase, cujos certames ocorrerão entre 12 e 26 de fevereiro, 21 imóveis serão disponibilizados para venda imediata. Os demais ativos ociosos estão em etapa de preparação para alienação.

Ao todo, mais de 60 imóveis da empresa estão aptos para alienação, número que pode crescer nas próximas etapas. A venda dos ativos integra o plano de recuperação da empresa, que prevê reorganização, modernização da operação e ampliação da competitividade no mercado logístico a partir de 2027. Os imóveis colocados à venda são considerados excedentes, após a realocação de agências e estruturas operacionais.

Um dos atrativos dos leilões é a condição para quitação antecipada: compradores que pagarem o valor integral em até 30 dias ficam isentos de reajuste sobre o saldo devedor. Do contrário, o saldo será atualizado pelo IGP-M a partir da data do depósito do princípio de pagamento (adiantamento) até a data da quitação. O prazo total para quitar o valor ofertado pelo imóvel é de 60 dias.

Prejuízos

No final de novembro último os Correios apresentaram as demonstrações financeiras referentes ao terceiro trimestre de 2025 com um prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro. A estatal ainda não divulgou os valores de todo o ano passado. As últimas demonstrações apontam que, até o terceiro trimestre, a empresa teve R$ 12,3 bilhões de receitas, o que representa 12,7% (ou R$ 1,8 bilhão) a menos que no mesmo período do ano passado, quando foram registrados R$ 14,1 bilhões.

Os custos operacionais, por sua vez, tiveram uma pequena redução no mesmo recorte, saindo de R$ 11,8 bilhões em 2024 para R$ 11,7 bilhões em 2025 (queda de R$ 155 milhões). Por outro lado, as despesas gerais e administrativas tiveram alta de 54,8%, saindo de R$ 3,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2024 para R$ 4,8 bilhões no mesmo período do ano passado, indicando que esse tipo de gasto aumentou em R$ 1,7 bilhão.

Outro motivo do aumento das despesas financeiras foram os juros dos empréstimos tomados pela empresa, que ficaram em R$ 157 milhões entre dezembro de 2024 e junho de 2025. No final do ano passado, a empresa anunciou a captação de R$ 12 bilhões em crédito dentro do plano de reestruturação a2025-2027. Do total captado, R$ 10 bilhões seriam desembolsados até o último dia 31 de dezembro e R$ 2 bilhões até o próximo 30 de janeiro, assegurando liquidez imediata para normalização do fluxo financeiro, quitação de obrigações em atraso e recuperação da credibilidade com fornecedores, empregados e clientes.

Fonte: Tribuna do Norte

Foto: Magnus Nascimento