terça-feira, 28 de abril de 2026

Governo quer usar aproximação com Trump como trunfo internacional na campanha de 2026

Postado em 20 de fevereiro de 2026
Política

Integrantes do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam transformar a relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em vitrine da agenda internacional para a disputa de 2026. A avaliação dentro do governo é de que a aproximação pode neutralizar o discurso da direita bolsonarista e reduzir o impacto de críticas em temas considerados sensíveis na política externa.

A leitura entre aliados mistura pragmatismo e otimismo. A equipe presidencial avalia que assuntos antes vistos como potenciais desgastes, como a relação com a Venezuela, perderam força após a prisão de Nicolás Maduro neste ano. Além disso, pesa a negociação considerada bem-sucedida para retirar tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros, vista como sinal de capacidade de diálogo com a Casa Branca.

O encontro entre Lula e Trump em Nova York, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, também é citado como marco simbólico dessa reaproximação. Para aliados, a interlocução cordial ajuda a esvaziar o discurso da oposição, historicamente alinhada ao trumpismo.

Especialistas avaliam que o movimento reforça a imagem internacional do presidente, mas ponderam que os dividendos eleitorais tendem a depender mais da agenda doméstica. Ainda assim, viagens e articulações externas são vistas como instrumentos para atrair investimentos, firmar acordos comerciais — como o tratado entre Mercosul e União Europeia — e fortalecer a percepção de liderança global.

Com previsão de ida a Washington nos próximos meses, Lula deve manter compromissos estratégicos no exterior antes de concentrar esforços na campanha. Auxiliares já admitem que, com a aproximação das eleições, a agenda internacional tende a ser reduzida, priorizando pautas internas e articulações políticas no país.

Com informações do Estadão

Foto: Ricardo Stuckert/PR