MPE endurece investigação e pede quebra de sigilo em ação que envolve Allyson Bezerra em Mossoró
A investigação que apura possível uso da máquina pública nas eleições de 2024 em Mossoró ganhou novo e pesado capítulo. O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu à Justiça a quebra de sigilo bancário de empresas de publicidade e a realização de perícias técnicas para aprofundar suspeitas de que recursos da Prefeitura teriam sido usados, de forma indireta, para impulsionar a campanha de reeleição do prefeito Allyson Bezerra .
A ação aponta um suposto esquema de comunicação que envolveria contratos milionários de publicidade institucional, agências, blogs, portais e influenciadores digitais, com forte presença nas redes sociais durante o período pré-eleitoral e eleitoral. Para o MPE, os indícios já superam a fase das suspeitas genéricas e exigem medidas mais duras.
O movimento do Ministério Público ocorre após o Tribunal Regional Eleitoral do RN anular uma sentença que havia absolvido os investigados, reconhecendo que a apuração foi insuficiente. Na prática, o TRE entendeu que o processo foi encerrado antes de esclarecer o ponto central: para onde foi o dinheiro da publicidade e como ele circulou durante o período eleitoral.
Relatório do TCE acendeu o alerta
O pedido do MPE se ancora em um relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado, que identificou inconsistências graves entre contratos de publicidade em vigor e a execução financeira registrada nos sistemas oficiais do município. Segundo o TCE, há contratos ativos entre 2022 e 2024 sem a devida correspondência de empenhos e pagamentos, situação considerada atípica para a administração pública.
Para investigadores, esse “vazio contábil” levanta a suspeita de que recursos públicos podem ter circulado fora do radar dos controles formais, justamente no período mais sensível do calendário eleitoral.
Influenciadores, redes e possível promoção pessoal
Outro ponto sensível da investigação é o uso intensivo das redes sociais. O MPE quer perícia específica para analisar conteúdo publicitário e engajamento digital, com o objetivo de verificar se campanhas institucionais foram usadas para promover a imagem pessoal do prefeito, criando vantagem política indevida na disputa eleitoral.
Na avaliação do Ministério Público, não basta saber se houve publicidade, mas qual foi o alcance real dessas mensagens, quem se beneficiou e com que recursos.
Bastidores e impacto político
O pedido de quebra de sigilo marca uma virada de chave no processo. Caso a Justiça autorize as diligências, a investigação pode atingir o coração da estratégia de comunicação da gestão e da campanha, com potencial de gerar desgaste político e repercussão direta no cenário local.
A decisão agora está nas mãos da Justiça.
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