Esquema do Master no RN: o rastro de destruição de Daniel Vorcaro que chegou ao estado
As investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam que o Rio Grande do Norte não foi apenas espectador, mas vítima direta do esquema que mistura golpes financeiros milionários, intimidação de jornalistas e ataques a portais de notícias.
R$ 100 milhões em Natal
Um dos casos mais polêmicos envolve uma tradicional família de Natal. Com um precatório de R$ 400 milhões para receber, eles foram abordados por intermediários de Vorcaro com uma proposta tentadora: a compra do título por R$ 100 milhões imediatos.
A condição, no entanto, era uma armadilha: o dinheiro deveria ficar aplicado no Banco Master, permitindo à família sacar apenas os juros (cerca de R$ 1,3 milhão por mês). Com a liquidação da instituição, os R$ 100 milhões simplesmente “evaporaram”, restando apenas R$ 250 mil. A família ficou sem o precatório original e sem o dinheiro da venda.
Censura e ataques a portais potiguares
A estratégia de Vorcaro também mirou a imprensa potiguar. Portais como o 96 FM receberam notificações extrajudiciais agressivas exigindo a retirada de conteúdos, inclusive reproduções de matérias nacionais, sobre o banco.
Após a primeira prisão de Vorcaro, ataques cibernéticos internacionais se tornaram frequentes contra os sites que mantinham as notícias no ar. A PF confirmou nesta quarta-feira (4) que assessores do banqueiro agiam deliberadamente para derrubar links negativos: “Estamos em cima de todos os links negativos. Vamos derrubar todos”, dizia um dos colaboradores em mensagens interceptadas.
Ameaças de morte e agressão
O nível de violência nas conversas de Vorcaro chocou os investigadores. Em diálogos com Luiz Phillipi Machado de Moraes, o banqueiro manifestou o desejo de agredir fisicamente jornalistas que o incomodavam.
Ao se referir a Lauro Jardim, do jornal O Globo, Vorcaro escreveu: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Segundo a Polícia Federal, as mensagens indicam que o empresário pretendia forjar um crime comum para esconder o ato de intimidação.
Fonte: Bnews Natal
Foto: Claudio Gatti/Brazil Economy
