sexta-feira, 08 de maio de 2026

STF impõe restrições a Ciro Nogueira e ao irmão; leia as medidas

Postado em 7 de maio de 2026
Política

O ministro André Mendonça determinou medidas cautelares contra o presidente nacional do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), e o irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, pela Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta 5ª feira (7.mai.2026). Leia a íntegra da decisão (PDF – 298 kB).

As medidas foram autorizadas depois de representação da PF com parecer favorável da PGR (Procuradoria Geral da República). A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o grupo ligado a Daniel Vorcaro.

No caso de Ciro Nogueira, Mendonça determinou:

proibição de manter contato, por qualquer meio, inclusive telefônico ou telemático, com testemunhas ou demais investigados da Operação Compliance Zero.
Segundo a decisão, a PF apontou risco de interferência nas investigações em razão da “capacidade de articulação política e institucional” do senador. Os investigadores afirmaram que a proximidade dele com outros investigados poderia permitir:

alinhamento de versões;
combinação de estratégias defensivas;
circulação de informações sensíveis;
influência sobre o curso da investigação.
Mendonça afirmou que as medidas cautelares seriam suficientes neste momento e considerou desnecessária a prisão cautelar do senador.

Em relação ao irmão de Ciro, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, o STF determinou:

proibição de manter contato com investigados e testemunhas;
proibição de deixar o município onde reside;
proibição de sair do país;
entrega do passaporte à Polícia Federal em até 48 horas;
monitoração eletrônica com tornozeleira.
Segundo a investigação, Raimundo administrava formalmente a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada pela PF como peça central das operações financeiras suspeitas ligadas ao núcleo familiar do senador. A decisão afirma que a empresa foi usada para adquirir uma participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões pagando apenas R$ 1 milhão. A operação teria sido estruturada por Felipe Cançado Vorcaro, apontado pela PF como integrante do núcleo financeiro-operacional do grupo investigado. Felipe foi preso durante a operação nesta 5ª feira (7.mai)

Mendonça considerou que Raimundo teria domínio sobre documentos societários, registros contábeis e fluxos financeiros relevantes para a investigação, o que justificaria as restrições impostas pelo STF.

O ministro também autorizou a suspensão das atividades de empresas apontadas pela PF como instrumentos de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial:

CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda.;
BRGD S.A.;
Green Investimentos S.A.;
Green Energia Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia.
Segundo a decisão, os elementos reunidos indicam “desvio estrutural de finalidade” das empresas e risco de continuidade da lavagem de capitais.

Fonte: Poder360

Foto: Reprodução/Blog do BG