quarta-feira, 13 de maio de 2026

Cesta Básica tem alta de 12% em Natal em 2026

Postado em 13 de maio de 2026
Política

O valor da cesta básica em Natal ficou em R$ 669,39 em abril, com variação positiva de 2,39% em relação a março e de 12,10% no acumulado entre janeiro e abril de 2026. Já no comparativo dos últimos 12 meses, a elevação foi de 1,89%. Os principais responsáveis pelos aumentos registrados no quadrimestre são o tomate, com alta de 92,66%, e o feijão carioca, com elevação de 23,22% em 2026 (até abril), e de 16,73% em 12 meses.

Os dados constam na Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) esta semana. De acordo com o economista Robespierre do Ó, fatores como redução de oferta, sazonalidade e questões logísticas influenciaram nos preços dos produtos que apresentaram alta nos recortes analisados pela pesquisa.

No caso do tomate, houve também variação positiva no comparativo com março deste ano (de 4,91%), além do recorte dos últimos 12 meses (aumento de 9,40%). O feijão teve aumento no comparativo entre abril e março de 2026, de 4,47%. Segundo a pesquisa, entre março e abril, além do tomate e do feijão carioca, outros sete produtos tiveram aumento nos preços médios em na capital potiguar: leite integral (3,66%), carne bovina de primeira (3,61%), banana (2,31%), açúcar cristal (2,13%), óleo de soja (0,34%), farinha de mandioca (0,30%) e pão francês (0,27%).

Já no recorte do primeiro quadrimestre do ano, o aumento foi registrado ainda nos seguintes produtos: banana (14,04%), leite integral (6,03%), carne bovina de primeira (2,38%) e pão francês (1,82%). Na contagem dos 12 meses, os aumentos foram observados no pão francês (3,57%), carne bovina de primeira (3,57%), banana (2,71%) e leite integral (1,40%), além do tomate e do feijão carioca. A cesta básica é composta por 12 itens.

A aposentada Francinete Santos afirmou que o aumento de preços é sentido no bolso, mas não há como abrir mão dos produtos. “O quilo do tomate está custando R$ 13. É muito caro. Mas vou levar mesmo assim. Tem muita coisa com valor alto, mas a gente não pode deixar de comer”, disse.

A autônoma Fernanda Bezerra foi ao supermercado nesta terça-feira (12) para fazer parte das compras do mês. A estratégia dela para economizar, diante dos preços elevados, é comprar alguns produtos no atacado. “O feijão, por exemplo, é um desses itens que compro somente em supermercado atacadista”, contou.

Segundo o economista Robespierre do Ó, a tendência é que a pressão sobre os preços continue. Ele explica que as elevações registradas estão relacionadas a fatores climáticos, que afetaram produtos como o tomate e o feijão carioca. “Com isso, houve uma redução desses produtos e o consequente aumento de preços. Já o leite sofreu com efeitos da entressafra, enquanto a carne bovina, muito procurada pela China e também por conta da escassez de animais para o abate, deixou o mercado local com baixa oferta do produto”, detalhou o economista.

O preço da banana, conforme Robespierre, foi influenciado por questões de logística, ao passo que o pão francês sofreu os efeitos das importações do trigo de países como Argentina e Canadá. “Nesse ponto, temos também o aumento dos combustíveis, puxado pela alta do petróleo causada por conflitos no Oriente Médio, Rússia e Ucrânia, que reflete, ainda, nos preços do frete. E tudo isso chega ao consumidor final”, fala o especialista.

Produtos sofreram redução

No comparativo entre março e abril deste ano, três produtos da cesta básica registraram queda em Natal: manteiga (-3,05%), café em pó (-1,28%) e arroz agulhinha (-0,46%). Em 12 meses, a redução foi no preço do arroz agulhinha (-34,44%), açúcar cristal (-13,54%), café em pó (-7,55%), farinha de mandioca (-7,27%), manteiga (-3,81%) e óleo de soja (-1,21%). No primeiro quadrimestre de 2026, tiveram queda os preços do café em pó (-7%), arroz agulhinha (-6,87%), óleo de soja (-4,58%), açúcar cristal (-4,25%), manteiga (-1,09%) e farinha de mandioca ( 0,75%).

Em abril de 2026, o trabalhador de Natal remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 90 horas e 51 minutos para adquirir a cesta básica. Em março de 2026, o tempo de trabalho necessário havia sido de 88 horas e 44 minutos. Em abril de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, o tempo de trabalho necessário era de 95 horas. Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em abril de 2026, 44,64% da renda para adquirir a cesta. Em março de 2026, esse percentual correspondeu a 43,60% da renda líquida e, em abril de 2025, a 46,79%.

Em abril deste ano, o preço da cesta básica na cidade foi o quarto mais baixo do Nordeste. Fortaleza (R$ 767,67) e Teresina (R$ 695,68) apresentaram os maiores valores, seguidos de Salvador (R$ 677,25), Recife (R$ 672,75), João Pessoa (R$ 676,44), Natal, Maceió (R$ 652,94), São Luís (R$ 639,24) e Aracaju (R$ 619,32).

Fonte: Tribuna do Norte

Foto: Magnus Nascimento