sexta-feira, 15 de maio de 2026

Operação Compliance Zero: investigação liga grupo de Vorcaro a operadores do jogo do bicho e milicianos

Postado em 14 de maio de 2026
Política

Segundo a investigação, a estrutura seria usada para intimidar desafetos, monitorar alvos e obter dados sigilosos de forma ilegal, em benefício do núcleo central ligado ao grupo do Banco Master.

A Polícia Federal aponta que o grupo do banqueiro Daniel Vorcaro teria ligação com operadores do jogo do bicho e com milicianos no Rio de Janeiro. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai de do dono do Banco Master, nesta quinta-feira (14), em Belo Horizonte, durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero.

Segundo a investigação, a estrutura seria usada para intimidar desafetos, monitorar alvos e obter dados sigilosos de forma ilegal, em benefício do núcleo central ligado ao grupo do Banco Master. A PF afirma que o grupo teria dois núcleos de atuação: um voltado à intimidação presencial e outro a ataques digitais.

De acordo com a decisão, as conexões no Rio de Janeiro se concentravam na atuação de Manoel Mendes Rodrigues, apontado como empresário, operador do jogo do bicho no estado e chefe de um braço local do núcleo operacional chamado “A Turma”. Ele também foi alvo de mandado de prisão nesta quinta-feira. Até a última atualização, não havia confirmação sobre o cumprimento da ordem contra ele.

A investigação descreve “A Turma” como um núcleo operacional ligado ao grupo de Daniel Vorcaro. Segundo a PF, o grupo seria responsável por intimidar pessoas, monitorar alvos e acessar informações sigilosas de maneira ilegal. No Rio, a estrutura comandada por Manoel seria composta por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais, funcionando como uma espécie de força privada a serviço da organização investigada.

Ainda conforme a decisão, Manoel seria responsável por fornecer “mão de obra intimidatória” e presença física no Rio de Janeiro para coagir alvos. A PF afirma que a posição dele no cenário criminoso local aumentava a força das ameaças feitas contra desafetos do grupo.

Um dos episódios citados pela investigação ocorreu em 4 de junho de 2024, em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. Segundo a PF, integrantes de “A Turma” foram enviados ao local para intimidar ex-funcionários de Daniel Vorcaro. Relatos reunidos na apuração indicam que sete homens abordaram o comandante de uma embarcação ligada ao empresário na Marina Bracuhy e fizeram ameaças.

De acordo com a investigação, um dos integrantes do grupo teria se identificado como Manoel e afirmado que “mexia com jogo do bicho”. Na sequência, o grupo teria ido a um hotel da região para intimidar um ex-chefe de cozinha. Testemunhas também relataram abordagens semelhantes a outros funcionários ligados ao empresário.

Para a Polícia Federal, a ação em Angra dos Reis foi precedida por levantamento de informações, monitoramento e organização logística. O objetivo, segundo os investigadores, seria causar medo e pressionar os alvos a agir conforme os interesses do grupo.

Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou que a decisão se baseia em fatos cuja comprovação de licitude e racionalidade econômica ainda não está no processo porque não teria sido solicitada à defesa. “O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje”, informou.

Com informações do G1

Foto: Ana Paula Paiva/Valor