Cesta básica em Natal acumula alta de 19,03% em seis meses, a 5ª maior do País
O preço da cesta básica em Natal registrou alta de 19,03% entre dezembro de 2025 e maio de 2026. O aumento observado é o quinto maior entre todas as capitais brasileiras no período, puxado por sete produtos: tomate (138,57%), feijão carioca (34,62%), leite integral (11,56%), banana (8,60%), carne bovina de primeira (7,25%), manteiga (4,75%) e pão francês (1,62%). Os dados, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontam que o custo da cesta na cidade chegou a R$ 710,79 no mês passado.
Levando em conta apenas maio deste ano, o aumento foi de 6,18% em relação ao mês anterior (o sexto maior do país), puxado, do mesmo modo, pelo preço do tomate (+23,83%), do feijão carioca (+9,25%), da manteiga (+5,90%), do leite integral (+5,22%), da carne bovina de primeira (+4,76%) e do arroz agulhinha (+2,53%).
Com os itens mais caros, os consumidores buscam estratégias de olho nos impactos para o bolso. A aposentada Maria Luzinete Targino, de 67 anos, conta que, com os custos altos, o jeito é se organizar e fazer substituições.
“Estou trocando a carne pelo frango ou omelete, a manteiga por requeijão e estou sempre procurando promoções. A gente chega com R$ 100 no supermercado, mas quando vai embora, até se assusta, porque parece que perdeu o dinheiro”, relatou a aposentada.
O motorista de transporte por aplicativo Jefferson do Nascimento, de 40 anos, também está sempre em busca de promoções para tentar aliviar os custos. “Faço isso porque está tudo muito caro, principalmente verdura. Então, não faço mais aquela feira grande, vou descobrindo qual supermercado está com promoção e vou programando as compras”, falou.
No recorte de 12 meses também foram registradas elevações nos preços de sete dos 12 produtos: tomate (57,62%), feijão carioca (29,63%), carne bovina de primeira (6,64%), leite integral (5,22%), pão francês (4,08%), manteiga (2,28%) e óleo de soja (0,11%). O economista Arthur Néo afirma que os fatores para a disparada de preços da cesta têm a ver, especialmente, com produtos que sofrem com sazonalidades.
“O comportamento do tomate está relacionado à redução da oferta provocada por fenômenos climáticos em importantes regiões produtoras, além da própria sazonalidade desse insumo. O feijão carioca também sofre influências climáticas e a diminuição das áreas plantadas. Já o leite integral é afetado pelos custos de produção por causa da alimentação de rebanhos e do aumento nos gastos com energia e logística”, detalhou o economista.
A carne bovina, de acordo com ele, segue com reflexos de oferta restrita. Os demais itens, afirma, recebem os impactos do aumento nos custos dos insumos de produção, que foram repassados ao consumidor final. “Nos próximos meses, alguns produtos podem apresentar acomodação ou até redução de preços. O tomate tem grande possibilidade de recuo, caso haja normalização da oferta nas regiões produtoras, assim como o feijão, que pode registrar estabilização, à medida em que novas safras cheguem ao mercado”, avalia Arthur Néo.
Produtos como carne bovina e derivados do leite, no entanto, seguirão com os valores pressionados ao longo do ano, de acordo com o economista, embora em ritmo menor. “Tudo dependerá das questões climáticas e logísticas e até de cenários internacionais. A banana, o feijão e o tomate tendem a uma normalização de preços no médio e longo prazos”, projeta o especialista.
Café, açúcar e farinha registram queda
De acordo com o Dieese, nos últimos seis meses, os alimentos que apresentaram queda de preço em Natal foram: café em pó (-7,45%), açúcar cristal (-6,75%), óleo de soja (-4,58%), arroz agulhinha (-4,51%) e farinha de mandioca (-1,80%). Entre abril e maio, houve queda nos preços da banana (-4,77%), do açúcar cristal (-2,61%), da farinha de mandioca (-1,06%), do café em pó (-0,49%) e do pão francês (-0,20%). Em 12 meses, apresentaram diminuição de preços o arroz agulhinha (-28,57%), o açúcar cristal (-16,93%), o café em pó (-12,47%), a farinha de mandioca (-8,76%) e a banana (-1,56%).
Também de acordo com o Dieese, em maio de 2026 o trabalhador de Natal remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou trabalhar 96 horas e 28 minutos para adquirir a cesta básica. Em abril de 2026, o tempo de trabalho necessário havia sido de 90 horas e 51 minutos. Em maio de 2025, quando o salário mínimo era de R$ 1.518,00, o tempo de trabalho necessário era de 93 horas e 29 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% da Previdência Social, o mesmo trabalhador precisou comprometer, em maio de 2026, 47,40% da renda para adquirir a cesta. Em abril de 2026, esse percentual correspondeu a 44,64% da renda líquida e, em maio de 2025, a 45,94%.
Capitais do NE acumulam maiores altas
Grande parte das capitais do Nordeste, segundo o Dieese, apresentaram as maiores altas na cesta básica no acumulado de dezembro de 2025 a maio deste ano. Além de Natal, Maceió (+18,12%), Aracaju (+20,99%), João Pessoa (+20,22%), Fortaleza (21,88%) e Recife (21,94%) apresentaram aumento expressivo, liderando o ranking das sete capitais brasileiras com maior elevação de custos. Já São Luís seguiu na contramão das demais cidades da região, registrando a menor alta do país (3,45%) em seis meses.
Salvador e Teresina apresentaram aumento de 16,43% e 13,62, respectivamente, no mesmo período.
Fonte: Tribuna do Norte
Foto: Magnus Nascimento
