“Em cima do muro”: Allyson evita responder sobre apoio à Presidência e gera críticas
O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra, protagonizou um dos momentos mais comentados desta semana no noticiário político potiguar ao evitar, de forma clara, responder quem apoia para a Presidência da República. A cena, durante entrevista ao programa Band Cidade, escancarou uma estratégia que já começa a ser rotulada nos bastidores: a tentativa de agradar todos — e, no fim, não se comprometer com ninguém.
Diante de uma pergunta direta da jornalista Anna Ruth Dantas, na Tv Band, Allyson optou por um discurso genérico, afirmando que manterá uma postura “institucional” com quem for eleito, citando inclusive Luiz Inácio Lula da Silva. A resposta, no entanto, passou longe do que se espera de um pré-candidato ao governo em um cenário de polarização política e posicionamentos claros.
A leitura predominante é de que não se trata de prudência, mas de cálculo. Ao evitar assumir um lado, Allyson tenta manter portas abertas nos diferentes campos eleitorais, buscando captar votos tanto de eleitores alinhados ao governo federal quanto da oposição. É uma estratégia conhecida — e arriscada.
No curto prazo, o silêncio pode até evitar desgaste. No médio e longo prazo, porém, cobra um preço: a ausência de identidade política clara. Em política, sobretudo em momentos decisivos, ficar “em cima do muro” costuma ser interpretado como falta de convicção — ou pior, como oportunismo.
A tentativa de se vender como uma alternativa “acima da polarização” também encontra limites na prática. O eleitor, cada vez mais informado e exigente, tende a cobrar coerência, posicionamento e clareza de propósito. E isso inclui saber com quem o candidato caminha em temas centrais do país.
Nos bastidores, adversários já exploram o episódio e a repercussão tem comentários negativos nas redes sociais, indicando que a estratégia pode não ter o efeito esperado.
No fim, a dúvida que fica é direta: até que ponto é possível construir uma candidatura competitiva tentando agradar todos os lados (opostos) ao mesmo tempo? Em política, muitas vezes, quem não escolhe um caminho acaba sendo visto como alguém sem rumo.
Foto: Reprodução/98FM
