segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Quem será o vice? Eleição indireta no RN exigirá escolha de governador e vice tampão, mas debate ignora segundo cargo

Postado em 13 de janeiro de 2026
Política

O debate político no Rio Grande do Norte sobre uma possível eleição indireta para escolha de um governador tampão tem avançado nos bastidores, mas um aspecto central do processo segue praticamente fora do radar: a obrigatoriedade da eleição de uma chapa completa, com governador e vice-governador.

Pelas regras constitucionais e pelo princípio da simetria eleitoral, uma eleição indireta para o comando do Executivo estadual não pode ocorrer de forma isolada. Caso se confirme a vacância do cargo de governador — cenário cogitado diante da possibilidade de a governadora Fátima Bezerra deixar o cargo para disputar o Senado e o vice Walter Alves não assumir — a Assembleia Legislativa terá que eleger dois nomes, formando uma chapa, ainda que com mandato-tampão até o fim do período vigente.

Até agora, porém, o foco das articulações tem se concentrado exclusivamente no nome que assumiria o governo, ignorando o desenho completo da sucessão. Nos bastidores, parlamentares admitem que a discussão sobre o vice-governador tampão ainda não foi feita de forma estruturada, apesar de o cargo ter peso político e institucional relevante, inclusive como linha sucessória imediata.

A ausência desse debate amplia as incertezas sobre o arranjo político que poderá emergir caso a eleição indireta seja confirmada. A definição do vice pode alterar equilíbrios partidários, ampliar ou restringir alianças e até redefinir o grau de apoio dentro da própria Assembleia Legislativa, responsável pela votação.

Especialistas em direito constitucional e parlamentares mais experientes lembram que, em eleições indiretas anteriores no país, a composição da chapa foi determinante para garantir maioria qualificada e estabilidade política mínima durante o período tampão.

Quem topa ser vice?

No Rio Grande do Norte, a insistência em tratar apenas do “governador tampão”, sem abordar o vice, revela não apenas uma lacuna no debate público, mas também um possível improviso institucional diante de um cenário que exige precisão jurídica e articulação política fina.

Se a eleição indireta sair do campo da especulação e avançar para a formalização, o Legislativo terá pouco espaço para atalhos: a escolha será de uma chapa completa — e o vice-governador tampão também precisará sair do papel.

E aí? Alguns nomes já surgiram para assumir a cadeira deixada por Fátima e todo o rombo financeiro que ela deixará de herança. Fala-se em Cadu Xavier, Vivaldo Costa, Dr. Bernardo, Buda…

Mas e o vice tampão? Quem quer? Façam suas apostas.