Risco de colapso? Contrato da SESAP para gestão do SAMU gera alerta no RN
Mais uma polêmica envolvendo a Secretaria Estadual de Saúde Pública (SESAP) acende o sinal de alerta no Rio Grande do Norte. Desta vez, o foco é o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), considerado um dos serviços mais estratégicos e complexos da rede pública de saúde.
O Governo do Estado pretende contratar uma empresa privada para gerir o SAMU potiguar, mas o processo tem sido alvo de fortes questionamentos. O principal ponto de preocupação é a falta de experiência comprovada da empresa apontada como vencedora, cujo único contrato de referência seria no município de Princesa Isabel, na Paraíba — cidade com cerca de 21 mil habitantes e realidade totalmente distinta da enfrentada no RN.
De acordo com informações levantadas, nesse município paraibano a empresa realiza apenas quatro plantões mensais, sempre aos sábados. Um volume que contrasta de forma significativa com a dimensão do SAMU no Rio Grande do Norte.
Estrutura complexa e atendimento a mais de 1,7 milhão de pessoas
O SAMU potiguar opera em 29 bases, cobre 91 municípios e executa mais de 15 mil plantões, atendendo uma população superior a 1,7 milhão de pessoas. Trata-se de uma estrutura altamente especializada, que exige gestão técnica, logística eficiente, equipe qualificada e resposta rápida em situações de emergência.
Especialistas em licitação ouvidos nos bastidores apontam que o edital apresenta fragilidades nos critérios de seleção, o que pode abrir espaço para questionamentos judiciais e até a suspensão do processo. Outro agravante destacado é a possível insuficiência de corpo clínico da empresa para dar conta da demanda real do serviço no estado.
Preocupação com a continuidade do serviço
O temor entre profissionais da saúde e técnicos da área é que uma eventual contratação mal dimensionada leve ao colapso do SAMU, comprometendo atendimentos de urgência e emergência em todo o território potiguar.
Quando decisões desse porte são tomadas sem critérios técnicos robustos, os impactos costumam aparecer depois — muitas vezes de forma silenciosa, até que o sistema entre em crise. Como costuma ocorrer na saúde pública, quando o problema explode, a população já sente os efeitos.
O espaço segue aberto para posicionamento oficial da SESAP sobre os questionamentos levantados.
Foto: Divulgação/Sesap
