terça-feira, 21 de julho de 2026

PL denuncia “quadrilha digital” ao TSE e aponta rede com 51 perfis que já impulsionou mais R$ 3 milhões em anúncios

Postado em 21 de julho de 2026
Política

Representação pede que a Meta entregue dados sigilosos para identificar responsáveis por esquema que teria utilizado CPFs falsos, diferentes moedas e exclusão de perfis para ocultar rastros

O Partido Liberal (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma representação que pode inaugurar uma das maiores investigações sobre atuação digital em campanhas eleitorais no Brasil. A ação sustenta a existência de uma estrutura organizada para impulsionar conteúdos políticos por meio de perfis falsos, utilizando documentos supostamente fraudulentos, diferentes moedas e uma dinâmica de criação e exclusão de contas para dificultar a identificação dos responsáveis.

A representação foi apresentada pela pré-campanha do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pede, em caráter de urgência, que a Meta seja obrigada a fornecer informações técnicas capazes de identificar os administradores das contas investigadas.

Segundo o levantamento apresentado ao TSE, foram identificadas 51 páginas com características semelhantes, responsáveis pela publicação de 4.607 anúncios patrocinados entre março e o fim de junho deste ano.

O investimento estimado chega a aproximadamente R$ 3 milhões, além de US$ 20 mil e 42 mil pesos colombianos em impulsionamentos.

De acordo com a representação, apesar de possuírem poucos seguidores, essas páginas teriam alcançado entre 77 milhões e 137 milhões de brasileiros graças ao impulsionamento pago dos conteúdos.

A campanha sustenta que a pulverização dos anúncios em dezenas de publicações de menor valor fazia parte da estratégia para ampliar o alcance e dificultar a identificação da operação pelos sistemas automáticos das plataformas.

Ação pede quebra de sigilo e identificação dos responsáveis

A ação protocolada no TSE requer que a Meta forneça dados como endereços de IP, registros cadastrais, informações de pagamento e demais elementos técnicos que permitam identificar quem está por trás das contas investigadas.

Segundo o líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), o objetivo não é apontar previamente responsáveis políticos, mas descobrir quem estruturou a operação.

“Não estamos acusando ninguém. Queremos que a investigação aconteça para identificar quem está por trás dessa ação criminosa, deliberada e planejada”, afirmou.

Marinho também declarou que os anúncios impulsionados seriam compostos majoritariamente por conteúdos falsos e ataques políticos, prática vedada pela legislação eleitoral quando realizada por meio de publicidade paga.

Entre os principais alvos da rede apontada na representação estariam o senador Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello.

Advogada fala em esquema inédito

Durante entrevista coletiva em Brasília, a advogada Maria Claudia Bucchianeri, responsável pela representação, afirmou que a investigação revelou um modelo de atuação que, segundo ela, nunca havia sido identificado pela Justiça Eleitoral.

“Não estou falando de robôs nem de fazenda de celulares. Estou falando de pessoas que conseguem CPF falso, criam contas, obtêm meio de pagamento, fazem anúncios e depois apagam os perfis para não deixar nenhum rastro”, declarou.

Outro dado citado foi a repetição de linhas telefônicas com DDD 41, do Paraná, embora ainda não exista conclusão sobre o motivo.

Segundo Bucchianeri, a equipe jurídica identificou os primeiros indícios da estrutura ainda em fevereiro, enquanto monitorava a Biblioteca de Anúncios da Meta.

Ela afirmou que o alerta surgiu quando perfis praticamente desconhecidos passaram a contratar campanhas publicitárias que chegavam a R$ 200 mil.

A partir daí, segundo a advogada, foi iniciada uma investigação própria que revelou uma estrutura organizada de criação, impulsionamento e posterior exclusão dos perfis.

A representação é acompanhada por um relatório técnico detalhado, contendo informações individualizadas sobre milhares de perfis, datas de criação, contratação, desativação, valores investidos, movimentações e gráficos que demonstrariam uma atuação coordenada.

O ministro Kássio Nunes Marques, presidente do TSE, recebeu a representação e informou que fará uma análise cautelosa do caso.